UFRN consolida projetos e avança em participação e desenvolvimento
Em entrevista concedida aos jornalistas José Zilmar Alves da Costa, titular da Superintendência de Comunicação da UFRN (COMUNICA), e Francisco de Assis Duarte Guimarães, diretor da Agência de Comunicação (AGECOM),em seu gabinete, no dia 22 de setembro deste ano, a reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, professora Ângela Maria Paiva Cruz, falou sobre os três primeiros meses de sua gestão à frente da maior instituição de ensino, pesquisa e extensão do Rio Grande do Norte, a quarta melhor do Nordeste e uma das melhores da América Latina. Abordou os primeiros desafios, a consolidação de projetos e quais os objetivos da Instituição para os próximos quatro anos. “Nós começamos a gestão com muito desafio diante do crescimento grandioso que a Universidade tem tido nos últimos anos e o nosso propósito para os próximos quatro anos é realizar novas conquistas, como dissemos reiteradas vezes durante a nossa campanha para a reitoria”, afirmou a reitora.
Leia a íntegra da entrevista.
Jornal da UFRN – Professora Ângela, qual a avaliação que a senhora faz desse período inicial de gestão?
Ângela Paiva – Muito positiva. Acho que experimentamos greve do servidor, isso faz parte da gestão pública, é um direito do servidor; experimentamos também a composição da nossa equipe, os primeiros passos para estruturar os grupos em cada unidade, como também o grande grupo da equipe, e uni-los em torno da elaboração do nosso plano de gestão para o período de 2011-2015. Então a grande tarefa desses dias foi dar continuidade aos projetos em andamento, às responsabilidades que cada um tem na sua unidade, próreitoria, superintendência, secretaria, departamento etc., mas também fazer as discussões e implementar as ações prioritárias dentro dos programas estruturantes do Plano de Gestão.
Jornal da UFRN – Pois é. A senhora foi eleita com o desafio de dar continuidade e até de consolidar alguns projetos. Como se encontram esses objetivos?
Ângela Paiva – A consolidação dos projetos, a implementação de projetos novos que são programas estruturantes previstos no PDI [Plano de Desenvolvimento Institucional] estão ocorrendo de uma forma natural. Nós estamos trabalhando na consolidação do Metrópole Digital, por exemplo, formamos a primeira turma e estamos fazendo a seleção da segunda turma, com 880 vagas, mais 13.400 candidatos jovens de 18 a 24 anos e dando passos importantes junto ao Ministério da Educação para que o Metrópole Digital, o curso ofertado, seja realmente um curso técnico. Não para que seja só um curso de 900 horas, mas que, com a ampliação da carga horária, tenhamos um curso técnico na área de tecnologia da informação. Um outro projeto que já deu passos importantes é o Instituto de Medicina Tropical, que apresentamos à comunidade, fizemos uma boa discussão com dirigentes em outros fóruns e implementamos, já colocamos na pauta do CONSAD, aprovamos no CONSEPE e no CONSAD, e estamos encaminhando para a pauta do CONSUNI, que será até o final deste mês de setembro. Também demos andamento ao aperfeiçoamento da proposta do Regimento da Reitoria, que é um trabalho de longa data, mas, como tivemos algumas mudanças de equipe, nós reformatamos algumas definições que a comissão tinha feito e agora estamos com ele quase totalmente acabado também para a pauta do CONSUNI. Nós também estamos, no CONSEPE, por exemplo, finalizando uma nova mudança na resolução de professor titular da UFRN, entre outras normas que nós reformulamos ou implementamos já na nossa gestão. Uma delas, que é importante lembrar, foi a reestruturação da resolução que trata da relação da UFRN com a Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Norte. Essa norma foi atualizada conforme as novas recomendações do Tribunal de Contas da União.
Jornal da UFRN – O Plano de Gestão do período de 2011-2015 tem sido debatido em vários setores da Universidade Federal. A senhora pessoalmente tem ido para discutir. Qual a importância desse plano para a comunidade universitária?
Ângela Paiva – Ele é o guia. Na verdade, ele contém as diretrizes não só para a gestão central da UFRN, mas também para a gestão das unidades acadêmicas dos centros, dos departamentos, as orientações gerais para os projetos pedagógicos de cursos e as orientações para as políticas de ensino, de pesquisa, de inovação e da administração universitária. Então ele se configura basicamente como o norte da gestão dos quatro anos e, certamente, junto com o PDI, se constitui um guia básico para que todo gestor, ao fazer seu plano quadrienal ou trienal, no caso de departamento, ou um projeto pedagógico de curso, ele tenha as linhas gerais, os princípios da administração e os princípios, também, pedagógicos da instituição.
Jornal da UFRN – Professora, dentro das metas de extensão, pesquisa e ensino da universidade existe fortemente o objetivo de internacionalização e de interiorização. Como a senhora avalia esses processos de internacionalização e de interiorização?
Ângela Paiva – É importante dizer que nesses primeiros quase cem dias nós demos passos importantes na questão da internacionalização. Nós tivemos visitas e também trabalhos fora da universidade de vários embaixadores e reitores de universidades estrangeiras, buscando ampliar as parcerias da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Também implementamos outras turmas para o Instituto Ágora, que oferece a proficiência para inglês, francês, espanhol, alemão e japonês ofertando agora, já no segundo semestre, 48 turmas. Implementamos bolsas diferenciadas também para os estudantes que estão sendo muito importantes nesses cursos de línguas estrangeiras. Em relação às novas parcerias, elas se desenham para o futuro, inclusive dentro do programa Ciência sem Fronteiras, que é um programa do Ministério da Ciência e Tecnologia para todo o Brasil, e nesse contexto a UFRN, pela sua avaliação de qualidade, que é a segunda no Norte-Nordeste, tem um índice geral 4 de cursos, já foi beneficiada com 72 bolsas da CAPES para os estudantes passarem parte da sua formação, de seis meses a um ano, em universidades dos Estados Unidos. Na sequência, nós vamos ter também as bolsas de CNPq dentro desse programa Ciência sem Fronteiras e isso vai auxiliar de forma muito significativa a internacionalização da Universidade, porque são fomentos que vêm de outros ministérios, além do Ministério da Educação. Em relação à interiorização, nós estamos com as direções novas dos campi assumindo. Então, nesse sentido, temos passos importantes a serem dados, mas nós temos que fazer a avaliação com essas novas direções para ver os rumos que nós vamos ter. Acho que são movimentos que a gente precisa fazer e vai depender também das políticas que a gente está aprovando no Plano de Gestão para alavancar não só o crescimento, mas a consolidação desses campi no interior do estado.
Jornal da UFRN – Professora, sobre os estudantes, os alunos. A universidade cresceu muito nessa área. Passamos de 9 mil para mais de 30 mil alunos. A senhora e a instituição têm se mostrado preocupadas com a inserção na UFRN de alunos oriundos da escola pública. Como se encontra esse processo e como a senhora analisa essa preocupação da universidade?
Ângela Paiva – Continuamos, tanto no PDI como no Plano de Gestão, com essa preocupação de qualificar e ampliar a inclusão social. Esse é um compromisso da instituição UFRN, que é uma instituição pública, e não poderia ser diferente. Nós temos no estado do Rio Grande do Norte mais de 80% dos jovens do ensino médio matriculados na educação do setor público, nas escolas públicas. E o esforço da Universidade tem sido não só no sentido de facilitar a entrada do aluno. A UFRN está propiciando curso de formação com professores daquela rede, fazendo cursinhos, também, para que o aluno da escola pública se prepare melhor para o Vestibular e, ao mesmo tempo, fazendo isenção de taxa de inscrição do Vestibular e implementando também o argumento de inclusão, que favorece a entrada de alunos em cursos com a demanda bastante alta. A tendência é que, no próximo ano, nós tenhamos mais de 50% das matrículas na UFRN de alunos da rede pública. Essa é uma questão de justiça social com esses jovens que estão, na sua maioria, no setor público. Na educação superior, é importante para o desenvolvimento do estado e para as famílias, que eles ingressem também numa instituição pública de ensino superior. Por isso que a inclusão social é uma vertente importante no REUNI, uma diretriz importante do aperfeiçoamento.
Jornal da UFRN – Uma das marcas da gestão tem sido uma preocupação com a condição humana e essa marca tem se revelado com a questão da acessibilidade. No que esse projeto foi marcante nesses primeiros meses?
Ângela Paiva – Ainda na gestão anterior, a UFRN criou o núcleo de acessibilidade e nós estamos, nesses últimos meses, recompondo a equipe, a comissão que trabalha a acessibilidade, e foi concluído um relatório sobre a acessibilidade na universidade. Então mostra-se nesse relatório que a UFRN tem buscado seguir as normas que dizem respeito à acessibilidade na hora de uma reforma ou da construção de um prédio, de uma nova obra. Em todas as reformas, essas regras constam nos projetos para serem cumpridas. No entanto, numa universidade com 52 anos, foi percebido no relatório e relatado que a maioria das nossas estruturas físicas, dos nossos prédios, tem problemas de acessibilidade. A própria reitoria tem problemas para a acessibilidade de pessoas com dificuldade de locomoção, seja permanente ou temporária, e é um desafio para a UFRN, o relatório mostra isso. Para a gente, em todos os próximos projetos, nós, todos os gestores, mas também a comunidade universitária, estamos bastante atentos para, num plano, num programa de necessidades de uma obra que estiver para ser planejada e construída, que esses detalhes da acessibilidade estejam presentes, porque com isso nós teremos uma universidade mais acessível. Também nesse sentido, o grupo que trabalha a acessibilidade, coordenado pero professor Ricardo Lins, com muita eficiência, está trabalhando uma coleção sobre acessibilidade e, em breve, será lançado um guia sobre acessibilidade justamente para orientar os gestores e a comunidade universitária sobre o que é acessibilidade, o que é uma infraestrutura acessível para todas as necessidades especiais que as pessoas possam apresentar.
Jornal da UFRN – Sobre a gestão de pessoas, que é um programa estruturante da gestão: quais são as orientações no sentido de intensificar o aspecto da convivência das pessoas, das relações e da própria dinâmica das pessoas nos seus locais de trabalho?
Ângela Paiva – A gestão de pessoas é um dos programas estruturantes novos, por entendermos exatamente que são elas que fazem a universidade acontecer como boa instituição e como eficiente instituição. Para isso, nós temos a sensibilidade de entender que as pessoas precisam se sentir felizes, realizadas profissionalmente, mas as pessoas entendem também, e devem entender, que a instituição precisa cumprir seus objetivos. Nesse sentido, o esforço, primeiro, é de qualificar essas pessoas, qualificar bem para que elas se sintam profissionalmente competentes, capacitar e qualificar, oferecer cursos de graduação, de mestrado, de doutorado. Esse é um programa que a gente quer ampliar. Ele já existe, mas a gente quer ampliar, não só para o técnico, mas para o professor também. É a questão da capacitação. Mas, também, essa qualificação deve estar voltada para o desenvolvimento institucional. Realização pessoal e desenvolvimento institucional devem ser parâmetros para a capacitação e qualificação das pessoas. Por outro lado, temos a preocupação com essa nova universidade cheia de pessoas novas, bem renovada, mais de 50% das pessoas recém-chegadas na Universidade. Que elas, com o crescimento todo que aconteceu na Universidade, nós temos a necessidade de ambientá- las, qualificar os espaços de trabalho, de convivência, de lazer, de alimentação e de circulação também. Andar a pé, andar de carro, tudo isso ficou mais complicado na Universidade, tendo em vista o canteiro de obras no qual se transformou a Instituição. Nesse sentido, há uma preocupação também com a oferta de espaços de convivência mais dignos e espaços de trabalho de acordo com as atividades que vão ser desenvolvidas. A assistência a saúde também está sendo repensada. A questão dos conflitos no âmbito de uma instituição tão grande como a nossa precisa de cuidados. Para isso, a reitoria está trabalhando um grupo trabalho na resolução de conflitos institucionais, além dos serviços que já existem, do Departamento de Desenvolvimento de Recursos Humanos, do próprio DAP [Departamento De Administração de Pessoal] e do Departamento de Assistência ao Servidor. Já existe muito trabalho sobre essa questão, mas um grupo será constituído para trabalhar a questão da resolução de conflitos para que muitas vezes uma questão não se transforme num processo de sindicância ou administrativo. Às vezes as questões se resolvem numa mesa com o diálogo entre as pessoas. Então esse é um esforço que vamos continuar fazendo para que a vida na Universidade, que é tão densa, para muitas pessoas é o dia inteiro e, às vezes, à noite, seja confortável.